12/09/2009
Azedume
Que eu sou azeda, todo mundo sabe. Mas ai quando eu fico melancólica... Sai de baixo.
Se alguém esteve lá no Encontro Internacional Bele Fusco de Dança do Ventre e viu uma panaca feia, desarrumada, sem brinco nem maquiagem, cara de cansada e olheiras traduzindo os workshops da argentinada, adivinha quem era?
Euzita, a própria.
Sempre que estive em eventos de dança, estive como aluna, convidada, participante, enfim. Mas nunca tinha estado "por fora" da coisa, assistindo os works sem dançar. Fui de civil, sabe?
Olhando aquela mulherada toda tentando decorar a coreografia (linda, por sinal) que a Saida passou, observei o comportamento de várias delas e comecei a pensar sobre muitas coisas (enquanto traduzia, é claro).
O que é, exatamente, o auge de uma bellydancer?
É ter uma escola? Ser professora? Dar workshop? Ganhar prêmio? Sair na revista? Viajar por causa da dança? Eu consegui algumas coisas dessa listinha já, mas me considero bem longe do auge. Sério. Sem falsa modéstia, eu acho que eu tô beeeem no começão do caminho ainda. É gostoso encontrar muita gente nesses eventos, sabe? Tem gente que eu gosto de verdade, mas são poucas. Porque, convenhamos, é pouca gente que vai lá "de boa" no Português mais chulo que eu consegui usar.. rsrs. Sabe, o pessoal vai lá, esbanjar uns lenços de quadril de mais de cem reais, collants caríssimos, cabelos montados, strass e o diabo a quatro. Mas... pra quê mesmo? Isso não parecia ajudar muito o pessoal que estava com dificuldade na coreografia.
Enfim. No fundo, no fundo, acho que estou amargurada porque no Encontro do ano passado eu estava lá, no meio da mulherada, feliz, com o Ruhi, todas uniformizadas, felizes, dançando e fazendo palhaçada. E este ano, não tem Ruhi coisa nenhuma. Cada uma pra um lado, e as poucas que sobraram juntas, seguindo seus caminhos separados. Tudo é efêmero demais.
Estava conversando com meu fiel escudeiro Sr. R., (que graças a Deus estava lá na porta do Vitória Hall me esperando ontem quando eu sai, mega tarde), "será que essas meninas sabem o que elas querem, de verdade na dança?". Sei lá, pra mim tem uma cara de ilusão... Se vestir de princesa, se encher de bijouteria, subir três minutos ao palco, descer, tirar a maquiagem, colocar as coisas dentro da mala e voltar pro mundo real. Não tem?
Quanta gente será que curte, de verdade, dançar? Até que ponto vale a pena engolir tudo sobre dança mas fazer disso uma neurose? Ontem tinha uma menina que estava arrasada porque não conseguia pegar a coreografia, porque não conseguiu falar nada com a Saida, porque ela não conseguiu decorar a sequência... Sabe... Ela pagou caro naquele workshop e não curtiu.... Entendem o que eu quero dizer?
Bom. Esse análise melancólico da vida Bellydance provocou tamanho vazio em mim que só pode ser preenchido com alfajor Havanna. Que é mais caro do que deveria, ah isso é. Mas... Tá ai ne, agora vou comer!
E amanhã tem mais workshop. Desde as 9h às 18h e eu estarei lá, firme e forte.
Beijocas ♥
Se alguém esteve lá no Encontro Internacional Bele Fusco de Dança do Ventre e viu uma panaca feia, desarrumada, sem brinco nem maquiagem, cara de cansada e olheiras traduzindo os workshops da argentinada, adivinha quem era?
Euzita, a própria.
Sempre que estive em eventos de dança, estive como aluna, convidada, participante, enfim. Mas nunca tinha estado "por fora" da coisa, assistindo os works sem dançar. Fui de civil, sabe?
Olhando aquela mulherada toda tentando decorar a coreografia (linda, por sinal) que a Saida passou, observei o comportamento de várias delas e comecei a pensar sobre muitas coisas (enquanto traduzia, é claro).
O que é, exatamente, o auge de uma bellydancer?
É ter uma escola? Ser professora? Dar workshop? Ganhar prêmio? Sair na revista? Viajar por causa da dança? Eu consegui algumas coisas dessa listinha já, mas me considero bem longe do auge. Sério. Sem falsa modéstia, eu acho que eu tô beeeem no começão do caminho ainda. É gostoso encontrar muita gente nesses eventos, sabe? Tem gente que eu gosto de verdade, mas são poucas. Porque, convenhamos, é pouca gente que vai lá "de boa" no Português mais chulo que eu consegui usar.. rsrs. Sabe, o pessoal vai lá, esbanjar uns lenços de quadril de mais de cem reais, collants caríssimos, cabelos montados, strass e o diabo a quatro. Mas... pra quê mesmo? Isso não parecia ajudar muito o pessoal que estava com dificuldade na coreografia.
Enfim. No fundo, no fundo, acho que estou amargurada porque no Encontro do ano passado eu estava lá, no meio da mulherada, feliz, com o Ruhi, todas uniformizadas, felizes, dançando e fazendo palhaçada. E este ano, não tem Ruhi coisa nenhuma. Cada uma pra um lado, e as poucas que sobraram juntas, seguindo seus caminhos separados. Tudo é efêmero demais.
Estava conversando com meu fiel escudeiro Sr. R., (que graças a Deus estava lá na porta do Vitória Hall me esperando ontem quando eu sai, mega tarde), "será que essas meninas sabem o que elas querem, de verdade na dança?". Sei lá, pra mim tem uma cara de ilusão... Se vestir de princesa, se encher de bijouteria, subir três minutos ao palco, descer, tirar a maquiagem, colocar as coisas dentro da mala e voltar pro mundo real. Não tem?
Quanta gente será que curte, de verdade, dançar? Até que ponto vale a pena engolir tudo sobre dança mas fazer disso uma neurose? Ontem tinha uma menina que estava arrasada porque não conseguia pegar a coreografia, porque não conseguiu falar nada com a Saida, porque ela não conseguiu decorar a sequência... Sabe... Ela pagou caro naquele workshop e não curtiu.... Entendem o que eu quero dizer?
Bom. Esse análise melancólico da vida Bellydance provocou tamanho vazio em mim que só pode ser preenchido com alfajor Havanna. Que é mais caro do que deveria, ah isso é. Mas... Tá ai ne, agora vou comer!
E amanhã tem mais workshop. Desde as 9h às 18h e eu estarei lá, firme e forte.
Beijocas ♥
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12 recadinhos a respeito:
Chi, reencontrei teu blog por acaso e me deparei com um post reflexivo e triste.
Eu tô só há alguns meses nesse mundo da Bellydance mas já vejo que tem gente que faz questão de esconder os segredos e artimanhas que essa arte tem... Infelizmente. Graças aos deuses, na Luz da Lua todas têm muita boa vontade e eu me sinto muito feliz lá.
Mas aí vem você, que me escreve um texto expondo, justamente, o lado dark da bagaça, poxa?
De qualquer maneira fico feliz por te conhecer e ver que, além dançar lindamente, escreve super-bem e faz toda uma reflexão crítica acerca desse universo, sem se preocupar apenas em mostrar véus e strasses e o diabo a quatro.
[...]Mas é fundamental à renovação que nos permitamos sempre questionar, sem medo de perder a magia. É preciso coragem pra isso.
Coragem!
Beijocas,
Jacque.♥
Ah, Naty... Normal!
A gente tem dessas, mesmo. Natural!
O mundo da dança oferece mtas oportunidades para tudo: dançar, aparecer, empetecar-se, ganhar mimos, ser a mais bela. Cada uma é cada uma e cabe a nós respeitarmos o momento de cada uma.
Só para ilustrar, é como a Medicina: para mim, o médico é um profissional que cuida, que se preocupa com o outro e faz o possível para ajudá-lo. No entanto, há pessoas que escolhem a Medicina apenas por status e pelo fato de se ganhar muito bem. Escolha de cada um!
Precisamos aprender a separar nossos valores das escolhas de outrem. Caso contrário, sempre sofreremos e bateremos, em vão, de frente a tudo o que vier.
E outra... Para mim, dançar é curtir, é alegria, é prazer, é sentir-se bonita, independente de ser profissão, hobby ou lazer. Ao menos, é isso que minha professora tenta passar para nós e faz isso muito bem.
A partir do momento que não me fizer mais bem, eu saio fora e procuro outra coisa!
Beijos!
Natália, muito bacana sua reflexão!
Sua pergunta foi "O que é, exatamente, o auge de uma bellydancer?", pois bem, para mim é exatamente isso, começar a perceber esse tipo de coisa, saber diferenciar o real da ilusão.
O sucesso é algo muito relativo, depende do que cada uma almeja, eu já tive escola, já fui professora, já dei workshop em meu espaço e em outros que fui convidada, viajei para trabalhar, no mesmo estado, pertinho, mas viajei, nunca ganhei prêmio, mas também nunca me inscrevi, não tive um terço do sucesso que uma Lulu Sabongi (quem eu muito admiro e considero modelo de dançarina bem sucedida), hoje voltei apenas a ser uma aluna em sala de aula, coisa que nunca deixei de ser, e posso te dizer que nunca tive uma relação tão maravilhosa com a dança, nunca foi tão claro seu papel em minha vida.
A gente passa por altos e baixos com a dança e isso nos faz ver coisas que nos fazem crescer como pessoas e bailarinas.
Eu curto os minutos que estou dançando, seja em um palco pomposo ou na sala de casa, aproveito cada segundo dos workshops e aulas que eu faço, respeito meus limites, sei onde quero chegar e não tenho pressa, a dança é para sempre em minha vida e o que eu busco nela é bem simples, momentos felizes, graças a Deus encontrei e acho que, apesar de cada uma viver uma experiência e almejar uma coisa diferente, todas alcançaremos quando abrirmos os olhos para coisas como essas que você comentou aqui!
bjocas, Elaine
(Vou colocar seu texto no meu blog, espero que você não se importe, qualquer problema avisa que eu tiro tá)
Oi Natália, fico feliz que tenha gostado de meus escritos, li os seus e me identifiquei bastante. Uma crisesinha na dança é normal, aliás, em que campo da vida a gente não tem uma né? Na minha última eu comecei a aprender o Flamenco. No final das contas, além de beber de uma nova fonte, acabei mais apaixonada ainda pela Dança do Ventre. Pelo que li do teu blog temos um tantão em comum, vou amar trocar idéias contigo.
Beijo no coração
A propósito Natália: Me diz o que nessa vida não é ilusão????
Dança tem de ser sonho, não ilusão. O que importa de verdade é o que ela significa pra gente!! Azar dos outros! Cada um tem sua visão da Dança, e a Dança do Ventre desperta muitos sentimentos ambíguos, porque está intimamente ligada ao feminino e seus mistérios, as complicações da vaidade, do ego, enfim! Faça da Dança o teu sonho, sinta o que ela pode acrescentar com suas vivências. Que ela nos provoca crises é verdade. Mas também vai nos fazer entender muito sobre elas. Beijos
Beijo
Oi Jacque, que legal vê-la por aqui!
Me sinto culpada de às vezes cortar o barato de muita gente mostrando coisas que nem sempre são um mar de rosas na dança. Mas não é porque ignoramos as coisas que elas deixam de existir.
Mas, fico feliz que esteja feliz na Luz da Lua. Lá acabei encontrando uma segunda casa, fiz amigas, conheci pessoas maravilhosas e tive a oportunidade de compartilhar um tico mais dos meus conhecimentos com mais gente, e aprender ainda mais com isso.
E eu concordo com você. Refletir é preciso, questionar a toda hora porque é esse o tipo de coisas que nos afirma ainda mais no caminho que escolhemos, ou nos mostra de vez que não é aquilo que nos faz feliz.
E seguimos, firmes e fortes, caminhando, cantando e seguindo a canção! rsrs.
Beijocas e volte sempre por aqui ^^
Oi Gi!! Achei muito legal falar sobre essa coisa dos momentos. E como é complicado lidar com isso, ne?
E sobre a dança nos fazer feliz, também concordo. Ninguém fica por obrigação. Se estamos nisso é porque um motivo temos. Nos resta descobri-lo ou lembrá-lo e então as coisas ficarão um tiquinho mais claras.
Beijoconas.
Elaine, teu comentário é do tipo que vale a pena divulgar, com certeza... rs. Muito legal tudo o que disse, e sobre o texto, fique a vontade para colocá-lo em seu blog. Aliás, já fui lá e comentei rsrs. Uma beijoca ^^
Oi Rubi, seja super bem vinda. Eu também fui no teu blog e amei. E também fui fazer flamenco numa época em que estava "brigada"com a Dança do Ventre, apesar de continuar com ela até hoje... rs.
Aliás, defendo a idéia que dança é mais abrangente do que nós pensamos, e experimentar novas vivências nos prova isso e traz uma série de coisas boas pra gente aprender, refletir, misturar e criar (por que não?).
Beijocas e bem vinda mais uma vez ^^
É engraçado por que eu já me peguei pensando nisso sabe? De verdade... Tipo aonde quero chegar na dança? O que será o auge para mim, meu objetivo final?
Mas as respostas de todas as nossas perguntas vão mudando com o tempo...
Como já dizia a Filosofia: o que move mundo não são as respostas, são as perguntas. ;)
Quando a gente é capaz de parar, refletir sobre algo e fazer questionamentos importantes, a gente consegue dar um outro rumo para as decisões, além de mudar a forma de olhar para aquilo.
Simplesmente A-D-O-R-O seu blog, seus pensamentos e sua forma de se expressar... percebo que somos parecidas em tantas coisas, apesar da década que nos separa...ahahahaha
Beijocas e excelente semana!
Oi Paty! Obrigada por passar sempre por aqui, eu também me divirto à beça com seus textos.. rsrs.
Beijocas ^^
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